Do que o ser humano é feito?

De que forma podemos nos preparar para viver num mundo em constante mudança?
As pessoas não são mais assim tão fáceis de serem conquistadas, e diversos valores simplesmente começam a serem perdidos.
De que é feito o ser humano? Qual a essesncia de uma personalidade forte? O que é preciso para que consigamos, de fato, termos amigos ao nosso lado?
Existem quatro palavras que, apesar de serem pequenas, formam o caráter de qualquer ser humano:
Respeito – Lealdade – Amor – Autonomia
O meu querido amigo, senhor Dicionário, define essas quatro palavrinhas da seguinte forma:
Res-pei-to: sm. 1. Ato ou efeito de respeitar(-se). 2. V. consideração.
Res-pei-tar: 1. Tratar com reverência ou acatamento; honrar. 2. Dar atenção ou importância a; considerar. 3. Admitir a existência ou o valor de; reconhecer.
Lealdade: Vide Leal: 1. Sincero, franco, honesto. 2. Fiel aos seus compromissos.
Amor: sm. 1. Sentimento que predispões alguém a desejar o bem de outrém. 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser, ou a uma coisa. 3. Inclinação ditada por laços de família. 4. Inclinação sexual forte por outra pessoa. 5. Afeição, amizade, simpatia.
Autonomia: sf. 1. Faculdade de se governar por si mesmo. 2. Direito ou faculdade que tem uma nação de se reger por leis própria.
Porém, o que essas palavras têm haver com o caráter de uma pessoa? E o que é “caráter”?
Uma pessoa com caráter é aquela que segue princípios, que possui uma qualidade distintiva, dignidade. Essas quatro palavras que uso como base para a minha vida (e desejo que, algum dia, todas as pessoas também a utilizem) se completam justamente por suas especificidades. Darei agora a minha visão do significado dessas palavras, para no final provar como juntas elas formam uma pessoa com caráter.
Ter respeito é seguir aquela velha regrinha que aprendemos no Jardim de Infância: “Não faça com o coleguinha aquilo que você não quer que façam com você…”. Eu sempre penso nesse tal respeito quando ouço as pessoas falando sobre bullying. As pessoas acabam levando certos conselhos aos extremos… Sofrer bullying é ser humilhado, e não simplesmente receber um apelido. Na minha infância lembro que chegava a ser rotina todo mundo colocar apelido em todo mundo. Mas aí crescemos, e tudo muda, inclusive as brincadeiras. Você vê que aquela zuação da sua infância vira uma total exclusão, e simplesmente pára e pensa “mas por que estão fazendo isso comigo?” (experiência própria…). Por mais que conceitos mudem, determinados valores permanecem o mesmo, e a definição de respeito ainda é a mesma para mim, só que com uma conotação mais madura: “Se você quer que o próximo te trate com dignidade, não trate o próximo como lixo… Tudo volta ao ponto de partida, e você recebe aquilo que oferta. Não quer se sentir ridicularizado em público? Não humilhe uma pessoa só por que quer ‘tirar onda’…”.
Lealdade… Está aí um dos conceitos mais importantes. Você ter uma pessoa leal à você, é ter a certeza que terá alguém sempre que precisar, ao mesmo tempo que será o protetor desta pessoa. Lealdade é um conceito que eu conecto à honra. Infelizmente, na medida em que o considero mais importante, percebo que é o mais esquecido. No período Medieval (gosto muito desse período, por isso sempre cito-o) um homem leal era aquele que sempre mantinha sua palavra, e a honra era tudo. Nos dias de hoje, qual é o nível de lealdade das pessoas? As pessoas são leais? Prefiro não responder… Uma vez eu li a seguinte frase: “Somos amigas do nível que, se ela matar alguém, eu escondo o corpo”. Num resumo bem resumido, é, isso chega a ser lealdade…
Ah… o amor! Esse verbo tão lindo que todo mundo conjuga de qualquer jeito. Como já dizia Renato Russo: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã…”. Já falei sobre minha crença de não existir amor à primeira vista, não é? Amor é algo a ser conquistado. Defino o amor sempre recomendando a leitura do Le Petit Prince (sim, eu prometi que iria colocar aqui no blog, mas devido à preguiça falta de tempo, ainda não terminei de juntar todas as aquarelas do livro). Porém, só para vocês entenderem o que eu entendo por “amor”, vou adiantar a, talvez, mais famosa passagem do livro:
E foi então que apareceu a raposa:
– Bom dia, disse a raposa.
– Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
– Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
– Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita.
– Sou uma raposa, disse a raposa.
– Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste…
– Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
– Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
– O que quer dizer cativar?
– Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
– Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
– É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa criar laços…
– Criar laços?
– Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo…
Mas a raposa voltou a sua idéia:
– Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.
E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo…
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
 - Por favor, cativa-me! disse ela.
– Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me! Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
Isso, para mim, é o amor. Não precisa de definição. Não precisa de “lero-lero”. Precisa, apenas, de simplicidade.
E por fim, a autonomia… Odeio modismos. Odeio esteriótipos. Uma pessoa autônoma não é aquela que simplesmente não segue regras e faz tudo por si própria. Uma pessoa autônoma sabe entender a perfeição da diferença. Já pensaram em pegar um grupo de meninas, entre 16 e 20 anos, pedir para elas se arrumarem e fazerem uma pose para foto? Será basicamente a mesma coisa: decotes, calças justas, cabelos lisos, biquinho, “v” de vitória nos dedos e mãozinha na cintura. Acham que é exagero? Olhem os Orkuts e Facebooks da vida… Uma pessoa autônoma é aquela que não se importa em se enquadrar na sociedade, ela se sente satisfeita do jeito que é. É livre para escolher seu estilo, seus gostos, sua maneira de ser e agir.
E são essas as quatro qualidades que, na minha opinião, formam um verdadeiro ser humano. É preciso se ter respeito aos seus semelhantes, para assim conquistar o respeito de todos. Ter lealdade é sinônimo de ter honra, uma pessoa leal é naturalmente verdadeira, pois sabem com quem pode contar. Ter amor não é, necessariamente, conjugal, mas por si próprio, pela natureza, pelas pessoas. E é preciso diferenciar-se, já somos semelhantes na “base”, mas diferentes na essência.
As pessoas estão se esquecendo destes valores, estão preferindo viver superficialmente. O que levamos da vida? Não, o corrijo minha pergunta, fazendo uma mais importante: O que deixamos na vida?
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