Sobre as formas do amor…

Eu sempre fui uma pessoa livre com meus sentimentos. Eles simplesmente não se afloravam! Era realmente muito prático tratar com qualquer situação do cotidiano sem se deixar influenciar, magoar, derrotar pelos seus sentimentos confusos e impulsivos, e, inclusive, é muito divertido também. Era engraçado também ouvir mamãe falando “ih… essa daí é super tranquila, pra ela tá tudo sempre bem!”. E era verdade mesmo, poucas coisas poderiam me deixar triste ou desanimada.
Só que a gente acaba crescendo, e como tudo na vida, nós vamos nos modificando aos poucos conforme coisas novas nos são acrescentadas. São essas coisas meio simples, mas que viram sua vida do avesso, sabe? Aquele tal de amor, por exemplo… nossa! Ele faz uma complicação na nossa vida, não é? E aí, antes de perceber qualquer coisa, vi que já estava totalmente embriagada de amor.
Apanhei tanto no início… como foi difícil aprender sobre ele! Por que, quando o amor vem, traz junto uma porção de outras coisas como a amizade, o carinho, a solidariedade, o perdão, a dúvida, o ciúme, a alegria, o choro, a risada… E você acaba tendo que aprender a se dar com tudo isso ao mesmo tempo. Só que teve uma coisa, talvez a mais importante, que eu aprendi com o amor: é que ele possui muitas formas.
No inicio desse aprendizado, eu descobri que existem pessoas que, por mais que você queira, no inicio, que dê certo, que você queira viver para sempre com elas, estas não serão verdadeiras e não se importarão em fazer você sofrer (também não se importarão em mentir e brincar com os sentimentos que ele próprio alimentou). Mas tudo bem, por que, no final, você descobre que projetava a si mesmo nessa pessoa.
Então, diante de tanta dor, você encontra aqueles que te mostram que a vida não começa realmente no seu nascimento, mas que precisa de um marco, de algo impactante para que você possa encher a boca com orgulho e dizer “eu comecei a viver ali, com eles”. E é esse marco que faz com que você acorde todos os dias de manhã, respire fundo e se lembre “existem pessoas as quais eu vivi como se o amanhã não fosse chegar, e essas pessoas, mesmo longe, me amam da mesma forma que eu as amo, e esse laço é o que nos mantém ainda unidos”.
Com essas primeiras lições, eu passei a realmente entender mais sobre mim, meus sentimentos e sobre como em cada momento eu posso ser uma pessoa melhor, sem deixar de ser eu mesma, como eu posso amar e ser amada, sorrir e levar alegria.
Tem também aquelas pessoas que te ensinam que dias pacatos e normais podem se transformar em momentos históricos e inesquecíveis, e que isso acontece com muita frequência, desde que a gente se esbarre com essas pessoas numa praça qualquer e sem marcar horário, e ainda assim, faremos as horas passarem em passeios inesperados, situações inusitadas e diálogos intermináveis.
Uma coisa muito linda que acontece quando você aprende a conhecer a si mesma e aos seus sentimentos é que você passa a conseguir a ajudar as pessoas. Não importa qual seja a situação, mas você acaba ficando com uma sensibilidade bem mais aflorada. E passaram pessoas por mim tão meigas, e com energias tão infinitas, que eu me sinto honrada em falar que, inúmeras vezes, eu coloquei a cabeça dessas pessoas no meu ombro e as ajudei em algo (apesar de eu ainda ter certeza de que fui mais ajudada do que ajudei). São essas pessoas meigas e sempre risonhas que nos mostram, que por mais que a nossa vida possa ser louca, a gente sempre tem que estar de bem com nós mesmos e com todos.
Ah! E tem pessoas que vão possuir uma força muito estrondosa e fixa: a de serem sempre verdadeiras. E eles te ajudam da maneira mais forte possível. Eles não vão te chamar de linda, mas vão fazer questão de achar algo em você para sacanear, eles não vão enxugar suas lágrimas, mas vão lembrar o quão estúpida você foi ou está sendo, não vão te abraçar ou mandar sorrisos meigos… mas eles vão te proteger como irmãos, e o apoio deles será seu pilar quando você acreditar que tudo está acabado. E principalmente, eles estarão ali do seu lado o tempo todo, mesmo que você não peça ou os chame de “idiotas” com frequência.
Não posso me esquecer de falar da família, não é? Na verdade, o pouco a se falar é o óbvio que representa tudo. Eles são o meu pilar, aqueles que, quando a merda for muito grande, eu sei que vão estar alí, mesmo com todos os meus defeitos e burradas.
Refletindo agora sobre tudo, acho que cometi um equívoco ao falar que ” a gente acaba crescendo, e como tudo na vida, nós vamos nos modificando aos poucos conforme coisas novas nos são acrescentadas”. Como disse Lestat¹, “ninguém muda com o tempo, apenas nos tornamos mais integralmente o que já somos“, vamos nos conhecendo, vamos nos conquistando, vamos nos apaixonando por nós mesmos com cada vez mais intensidade.
E de tudo o que eu aprendi, o mais importante é que, no final das contas, embora eu tivesse tentado mantê-lo afastado, eu fui salva pelo amor².
¹ No livro A Rainha dos Condenados, de Anne Rice;
² Parágrafo final baseado na música Rainbow, da cantora Ayumi Hamasaki.
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