Minha monografia (e enfim formada!)

HÁ! Quem está desde agosto sem publicar nada e ressurgiu das trevas numa quarta de sol pós feriado? Isso mesmo, e retorno falando sobre duas felicidades desse ano: a enfim defesa da minha monografia e minha formatura! Preparem-se, por que essa postagem vai ser uma leitura looooonga!

Estou há bastante tempo falando sobre como a faculdade estava me sobrecarregando… Os últimos períodos foram muito difíceis pra mim e realmente achei que não conseguiria me formar (fiz o 10º e último período cursando seis disciplinas, mais o estágio, mais o trabalho de conclusão de curso)… Foi no modo hard, mas deu tudo certo no final!

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Atenção mundo: formei!

Bem, eu vou pular a parte de falar sobre a Psicologia. O que eu tenho a dizer no momento é que realização é a palavra que me define. Sempre foi minha primeira opção de curso e fiz exatamente na faculdade que eu queria fazer. Passei muitas dificuldades ao longo do curso, mas finalmente o gran finale chegou! 😀

Focando na monografia agora! hahaha Bem, isso foi uma saga a parte… Eu peguei a disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso I (disciplina onde fazemos o projeto de pesquisa da monografia) no 7º período, mas só fui pegar TCC II (disciplina em que escrevemos a monografia de fato e a defendemos) no 10º período… Para vocês terem a noção do trabalho que foi parir esse filho! No início eu ia escrever sobre um tema que eu já pesquisava, que era A Feminilidade na Psicanálise, mas sabe quando você já está escrevendo uma coisa há tanto tempo, e quando você sente que o tema não é O SEU tema? Então na cara e na coragem eu decidi escrever sobre Psicologia e Videogames.

Pausa dramática agora para uma historinha…

Eu costumo dizer que esse trabalho teve um muso inspirador, que nesse caso foi o Ricardo. Eu ainda morava na república que foi minha casa por um ano em Volta Redonda, daí um final de semana Ricardo veio para VR e alugou online um documentário para assistirmos juntos que parecia ser bem legal: Videogames: o filme. Foi muito engraçado, por que estávamos assistindo de boa, quando alguns entrevistados começaram a falar sobre a evolução da narrativa nos jogos, Ricardo então pausa o documentário e diz “por que você não faz sua monografia sobre uma parada legal assim? Você fica escrevendo esses temas chatos, ninguém vai querer ler!”. Eu dei umas justificativas de que não tinha campo, não rolava de pesquisar, não era bem assim… Enfim, eu dei uma enrolada e morreu o assunto. BUT! A sementinha do mal já havia sido plantada e eis que eu começo a pesquisar, do zero, sobre o papel da psicologia na construção dos jogos. Tinha alguma relação? Psicólogo trabalha com jogos eletrônicos? Como?

Fim da história, voltemos a construção do trabalho :v

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O começo de tudo: de programinha de final de semana a monografia de psicologia.

Eis que eu, ainda com a ideia muito crua, chego para o meu orientador e jogo que queria escrever algo relacionado a jogos eletrônicos. Eu lembro desse primeiro encontro, por que estávamos na recepção do Serviço de Psicologia Aplicada da faculdade, que ainda estava sendo terminado, e nós nos reuníamos ali na recepção para estudarmos… Daí passamos um tempo conversando sobre RPG, imersão, construção de histórias… Foi um brainstorm muito louco, hahaha. Mas eis que meu orientador diz que era para eu construir uma hipótese a cerca do trabalho, e que se eu conseguisse provar para ele que a minha hipótese era válida e tinha como fazer um trabalho sobre, nós faríamos. Devo ressaltar aqui o quão agradecida eu sou ao professor Augusto, que foi meu orientador tanto do TCC quando do estágio, pelo respeito ao meu desejo em escrever sobre aquilo. Vamos ser sinceros: numa faculdade federal, que incentiva produção acadêmica e científica, colegas meus escrevendo sobre uso de drogas, reinserção de usuários, parto humanizado, rede de saúde, relação corpo-mente, somatização… Vem este pequeno ser humano e decide escrever sobre o papel das narrativas nas sociedades e aplicação disso nos videogames! Então eu realmente me senti muito respeitada, por que meu tema sempre foi levado a sério em nossos diálogos e ao longo da construção dele, e eu não sei se qualquer professor toparia isso.

Bem, continuando a saga, eu comecei a pesquisa do zero. Tipo, do zero mesmo! Eu não sabia sobre o que escrever, o que abordar, quais objetivos… E por mais clichê que isso possa parecer, a evolução do trabalho se resumiu a MUITA PESQUISA E LEITURA. Hoje em dia eu vejo que eu cometi muitos erros na construção do trabalho, mas é pra isso que trabalho de faculdade serve mesmo: pra você passar pela experiência e ter alguém ali pra te orientar. Sobre essa parte da pesquisa também tenho que agradecer imensamente ao Guilherme, famoso Guigui. Eu sou analfabeta em inglês, mas eu precisei super pesquisar por referências estrangeiras e sem a ajuda dele eu não teria avançado tanto em alguns tópicos do trabalho.

Hoje em dia, tem dois erros que eu considero os maiores na construção do trabalho. O primeiro foi não escrever concomitante as pesquisas. Por que, vejam só, eu li muita coisa sobre o tema, muita mesmo, muito mais do que consta nas referências bibliográficas… Então de certa forma eu fiquei saturada de informações em alguns momentos, e quando eu ia escrever, eu tinha um bloqueio por que achava que eu estava escrevendo algo muito óbvio. Acredito que se eu tivesse indo escrevendo conforme lia (escrever qualquer coisa, qualquer ideia, qualquer fluxo de pensamentos: só escrever) o meu trabalho teria ficado bem mais rico. E o segundo erro tem muito a ver com o primeiro, que é a forma como eu escrevi. Eu acredito muito numa universidade para todos, tanto em termos de acesso de novos alunos quanto da relação academia-comunidade e eu procuro exercer isso na minha prática profissional. Por conta disso prometi que policiaria minha escrita para que fosse um trabalho acadêmico mas que qualquer pessoa que lesse conseguisse entender no mínimo a ideia geral e a construção dos objetivos do trabalho. Eu queria que meus pais ou meus amigos engenheiros lessem e, mesmo se deparando com termos técnico da psicologia, entendesse o trabalho e tivessem uma leitura agradável. Entretanto eu pequei muito na questão de ser mais explicativa em alguns termos ou ideias, e esse é um erro que com certeza tentarei não cometer mais!

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ESTÁ VIVO!

Apesar de todos os dramas, choros, vontades de desistir e ideias de que o trabalho estava horrível… Eu consegui finalizar ele! Vocês não fazem ideia da emoção que foi o dia que imprimi e encadernei o trabalho para entregar pra banca examinadora… Eu juro que fiquei parada por uns instantes admirando a obra ali, física, e não acreditei que a labuta tinha acabado!

Afinal de contas, sobre o que foi o meu trabalho? Eu fiz uma construção histórica-social sobre a importância das narrativas na vida e construção dos indivíduos e culturas, falei sobre a evolução dos enredos, o papel das histórias hoje em dia, as lacunas dos indivíduos na Nova Economia Psíquica e enfim cheguei nas mídias de entretenimento se usando do modelo do Monomito como propulsor para a construção de narrativas, cuja mídia que foquei foi a dos jogos eletrônicos. Pelo resumo do trabalho dá para entender melhor a bagunça, hahaha:

O presente trabalho analisa a importância dos mitos para a sociedade, avaliando suas principais características e sua evolução até os dias atuais, localizando o Monomito nas narrativas modernas. Através do referencial psicanalítico, procura compreender a perda dos referenciais simbólicos da nova economia psíquica, apontando as lacunas presentes na estrutura psíquica dos indivíduos, o que gera um impulso de consumo que se utiliza das estruturas simbólicas ancestrais para alavancar a venda de entretenimento. Por fim, localiza nessas mídias de entretenimento os jogos eletrônicos e, através da análise da estrutura de alguns enredos e a pontuação da arte de storytelling, demonstra que essas estruturas de transmissão de histórias podem ainda operar e estão sendo utilizadas para vender entretenimento.

Palavras-chave: Monomito, jogos eletrônicos, psicanálise, mitologia, storytelling.

Infelizmente o trabalho ainda não foi publicado, por isso ainda não o divulgarei (embora algumas pessoas tenham animadamente me pedido para ler, o que me deixa feliz!).

Sobre a apresentação, vulgo defesa… Sabe o ditado que diz que se algo pode dar errado, vai dar? A famosa Lei de Murphy e tal? Então… hahahaha Eu estava com muito problema em organizar minha fala, por que eu descobri meio que em cima da hora que a minha apresentação duraria 20 minutos. 20 MINUTOS! Se tem uma coisa nessa vida que eu tenho dificuldade em ser, essa coisa é suscita. Ainda mais sobre um tema que me causa tanto desejo! Eu fiz e refiz os slides da minha apresentação um milhão de vezes, ensaiava e nunca ficava bom. Não ficava nem perto de bom. Até que na véspera da apresentação eu surtei. Foi cômico para não dizer trágico, por que estava com minhas amigas na sala de reunião de estágio, e eu estava super tranquila, meio nervosa, mas tranquila. Até que todo mundo foi embora e eu fiquei sozinha na sala e gente… Eu comecei a chorar desesperadamente! Por que meu trabalho estava horrível, por que eu não sabia o que falar, por que a apresentação estava péssima… Saí da faculdade chorando, aos prantos, fui pra casa assim desesperada, no meio do caminho eu comecei a mandar um zilhão de áudios pro Ricardo e pras minhas amigas, e eu choraaaaaaava!

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O famigerado dia da apresentação

Acho que ter essa crise de choro foi o que me salvou, por que no dia seguinte, na manhã da apresentação eu estava super tranquila. E ainda por cima fiz um ensaio final que ficou perfeito, eu brinquei que o espírito de Lacan tinha se apossado do meu corpo, por que eu estava muito refinada no psicanalês. Mas é claro que os problemas não iriam parar. Eu tentei pegar a chave da sala reservada com antecedência para testar meu computador no datashow e deixar tudo pronto para caso tivesse algum problema eu conseguir arrumar a tempo. Só que a sala estava reservada no nome do meu orientador, que só saia da aula dele as 18hrs, ou seja, tive que ligar tudo em cima da hora. E não é que a placa de vídeo do meu notebook decidiu morrer e eu não consegui acessar o arquivo da apresentação na minha pasta em nuvem? Fiquei ai uns bons 5 minutos nessa de tentar colocar a apresentação para rodar (talvez mais, talvez menos, na hora a gente nunca sabe quanto tempo passou) quando a luz divina da sensatez caiu sobre mim, olhei pro meu orientador e perguntei “posso apresentar sem slide?” ele respondeu que a defesa era minha, eu podia fazer como quiser. E eis que Hanninha deixa os computadores de lado e apresenta no gogó, na cara e na coragem, com o espirito de Lacan dominando meu corpo ainda… Detalhe que a sala estava cheia! Por que meu orientador fez o favor de convidar a turma que ele estava dando aula para assistir a defesa, hahaha… Mas como eu não tenho problemas com apresentação em público, isso foi só um detalhe.

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Único momento em que o slide funcionou. Obrigada pela foto, George!

No mais, consegui apresentar com 20 minutos cravado (literalmente, eu acabei de falar, olhei pro orientador, perguntei quanto tempo faltava e tinha dado os 20 minutos certinho), todo mundo gostou bastante da apresentação e… HANNINHA PASSOU COM 10zão DO AMOR! ❤

Eu decidi narrar a aventura da monografia dessa forma para que vocês vejam que é difícil mesmo, em alguns momentos vai parecer impossível, mas relaxa que uma hora acaba. E tudo bem você se desesperar de vem em quando. Chora quando tiver vontade de chorar, larga de mão por uns dias, lê uns artigos com veracidade duvidosa, joga no Google, pede ajuda pra amigo, chora no ombro dos amigos também (amigo serve pra isso), converse muito com seus pais (eles podem até não ter formação acadêmica, mas a formação da vida deles é o que de mais precioso tem pra você ouvir) e se permita… Permita-se escrever sobre o tema que te desperte amor e desejo, se permita colocar você no seu trabalho, se permita escrever de modo que qualquer um possa ler. É sua produção, ame o que você está fazendo e no final você não vai sentir alívio de ter acabado, mas vai sentir orgulho de si mesmo pelo êxito.

Eu ia falar sobre a formatura também, mas já ficou uma publicação muito grande! Mais pra frente eu falo um pouco sobre as festividades (juro que falo pouco, hahaha). E me conta nos comentários, você já se formou? Sobre o que foi seu TCC? Tá escrevendo ainda? Tá sem saber o que fazer?

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